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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

(( BNDES ))

Saiu o edital para o concurso de 2011!!

:-)

Boa sorte a quem resolver concorrer!!
O esforço vale a pena, podem ter certeza!!

Hoje esteve no *sem censura* um funcionário do banco falando sobre como é trabalhar lá!!
Completei 1 ano agora... e... para quem já trabalhou na iniciativa privada, como eu, o BNDES é tudo de bom! É a aplicação prática do que vemos nos livros a respeito de Gestão de Pessoas. O banco considera o corpo funcional como seu maior bem... valorizando-o como tal!
:-)

Se vc está lendo este tópico pensando em prestar este concurso.. prepare-se pq a competição é ferrenha... eu competi com 35.000 candidatos para estar entre os 300 primeiros!!
:-) Boa Sorte!!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Quase 1 ano depois...


Quase 1 ano depois de ter sido aprovada, convocada, ter entrado em exercício... ainda estou "in love" com meu *novo* local de trabalho.
Minha vida mudou .. e muito.. e para muito melhor!!
Sinto-me orgulhosa de minha conquista, sinto-me confortável no local de trabalho, o ambiente de trabalho é extremamente agradável, sinto-me segura e confiante desempenhando minhas tarefas diárias. Autoconfiante e com a auto-estima elevada :-)
Tudo está ótimo e caminha como eu sempre quis!
Então acho que devo agradecer...
Acredito em Deus..
Agradeço a ele por não ter me deixado desistir:-)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

( Discurso de encerramento )

Formatura Turma 1010

Prezado Dr. Eli3z3r B4tist4, nosso patrono, Coronel Ricardo, nosso paraninfo, convidados, amigos veteranos e meus colegas calouros b3n3d3ns3s,

Nós que chegamos agora no 8ND3S já temos a primeira tarefa: agradecer.

Lembrando, sempre, que estamos aqui porque passamos em um concurso considerado como dos mais difíceis e seletivos do Brasil, temos que agradecer, primeiro, por ter tido ânimo e vontade para enfrentá-lo. Depois, pelo conhecimento e inteligência para responder bem às questões da prova; em seguida pela tranquilidade para esperar o resultado que, no caso dos engenheiros, foi um exercício especialmente exigente para o sistema cardiovascular, pois que a homologação só veio 6 meses depois, o que nos habilita, no mínimo, ao ingresso em curso de formação para monges tibetanos ou carmelitas descalças.

E fomos aprovados. Beijos, telefonemas de tios afastados, elogios dos avós: “Eu sabia. Esse meu neto é danado! Herdou do avô.” Mas faltava a provação da fila de espera. E novamente devemos ser gratos por enfrentar com estoicismo e paciência esses 2 anos. Sempre de olho na lista: “Chamaram mais 2. Faltam só 123 para eu cruzar a fita.” Fé e esperança foram os mandamentos a seguir, sem baixar a cabeça. Um dia eu chego. E chegamos, graças a Deus. Mas ainda faltavam os exames médicos. Mais 15 dias e chegou a carta: “...apresente-se dia 1 de outubro, e retire o crachá de funcionário novo com a recepcionista.” E aí agradecemos por nossa saúde. Passamos. Vitória.

Não tenho certeza de que vocês, veteranos de Banco, tenham consciência disso, mas uma coisa que nos impressiona ao chegar aqui é a forma como somos recebidos. Muitos de nós trabalharam em grandes empresas e podem confirmar: é muito raro encontrar tanta organização e competência. Falo por mim: nunca vi nada sequer parecido. A tranquilidade que isso nos dá não tem preço. E o orgulho, porque imediatamente vem aquela sensação boa: eu agora faço parte desse time. Esses sentimentos se reforçam a cada dia durante a integração, pelo alto nível das palestras e dos palestrantes, a transparência na divulgação das informações e a independência nas colocações de todos. O alto nível do pessoal do Banco fica claro desde o início.

No curso de formação que recebemos, constatamos outra vez o compromisso com a excelência: professores dos melhores do país e das instituições mais gabaritadas que temos, reconhecidos por sua competência mesmo fora do Brasil. Uma verdadeira pós-graduação latu sensu concentrada. Ter contato com esses mestres foi um privilégio agradável: aprende-se muito, sem esforço. Esse investimento nós agradecemos ao Banco, mesmo sabendo que ele já fez sua análise e concluiu: a lucratividade neste caso é garantida.

Sem medo de errar, podemos dizer, parodiando alguém cujo nome não me ocorre agora, que nunca antes neste Banco houve turma como a nossa. Afinal, esta Turma é 10 10. É a turma de outubro de 2010. Outra parecida só, talvez, daqui a 100 anos. Nossa turma reflete bem a diversidade brasileira. Além da parte que é visível, somos cearenses, paraibanos, pernambucanos, gaúchos, baianos, paulistas da capital e do interior, capixabas, brasilienses com pé no Maranhão e cariocas de todos os sotaques. Para uma instituição que trata de Brasil, ter gente que conhece, desde a raiz, nossos regionalismos é capital de que o BNDES precisa para seus grandes projetos de desenvolvimento. Nada substitui a sensibilidade de quem viveu o ambiente, conhece seu povo, suas expectativas, seus sonhos, suas qualidades e também seus problemas. Isso é fundamental na análise e na adequação de projetos que chegam ao Banco, ou das soluções que ele mesmo propõe. Mais uma contribuição grau 10 desses calouros .

Ouvimos também falar sobre uma tradição benedense, ligada ao bom ambiente de trabalho, cujo resultado é um interessante índice de casamentos entre colegas. Modéstia à parte, um olhar rápido sobre a platéia confirma que a Turma só pode contribuir para a elevação desse índice.

A nossos amigos formandos de fora do Rio, uma sugestão: não resistam ao jeito alegre e descontraído do carioca. Não vale a pena abrir mão de ser feliz. Acolher bem a todos está no nosso sangue, mas vem também da história: desde que D. João aportou aqui nos acostumamos a receber, de tempos em tempos, gente de todos os estados. Mudava o presidente, e lá vinham seus conterrâneos. E muitos, muitos mesmo, gostaram e ficaram. Para nós isso é natural. Assim, o carioca é uma mistura saborosa de Brasil. E felicidade é o seu lema. Habituar-se a ser feliz é fácil, e ajuda a tornar a vida boa e o trabalho menos penoso. Se algum dia acontecer de chegar ao Banco meio triste, peça a nosso paraninfo para visitar o terraço: não há baixo astral que resista àquela vista.

Termino com uma mensagem a nossos colegas veteranos: podem ficar tranquilos quanto à manutenção do padrão de qualidade do Banco que vocês estabeleceram em nível tão alto. Sem arrogância: a peteca não vai cair.

A meus colegas calouros, agradeço pela gentileza de terem me escolhido para falar pela Turma. Sei que foi por mera delicadeza, mas espero que tenha dito o que vocês gostariam de dizer se estivessem aqui. Quero trabalhar com vocês.

Obrigado e sejam felizes.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Passei !!! Passei!! Passei!!!

Eu nem acredito...
Após oito anos tentando... tudo bem, com intervalos e momentos de desistência e interrupções... finalmente alcancei meu objetivo: sucesso em concurso público!!!

Durante estes oito anos passei por vários momentos...
Após sair do emprego na iniciativa privada, fiquei feliz e aliviada... Pensei *enfim... livre!*
Passei ao momento seguinte... *vou achar outra colocação*
Depois de enfrentar as possibilidades, percebi que as dificuldades eram maiores do que eu imaginava... *e agora?*
* O jeito é tentar concursos* ... Tive sorte, passei em vários, inclusive no primeiro, o que me animou bastante...
Infelizmente, para quem tenta concursos, passar (aprovação) não é o suficiente! Vc precisa se classificar (estar em posição dentro do nr das vagas oferecidas), o que não é nada fácil, diga-se de passagem!

A fase seguinte é um pouco cansativa... depois de tentar e morrer na praia... ser aprovada, mas não classificada.. vc fica com aquela sensação de que está perdendo tempo... Olha para a pilha de livros, para o tempo que passa estudando e se pergunta.. *Afinal, o que está faltando?*
A resposta não é difícil de responder... 1) ou está estudando pouco OU 2) está estudando errado!
No meu caso, estudava errado... o material!
E também fazia a opção errada de concurso! Sem a menor sensibilidade para matemática e contabilidade, nào há como ser fiscal...
Deixei de lado o curso de basico fiscal e fui tentar os tribunais... meu sonho passou a ser o TJ :-)

Vc tem mtas coisas para absorver... a matéria é extensa e detalhada.. mesmo para Tribunais. Embora Tribunais não tenha um leque tão diversificado de matérias quanto Fiscal... mas é preciso estar afiado em jurisprudências e competências dos órgãos do Judiciário, o que também não é pouco! Isso sem falar que o tal CODJERJ modifica tudo a todo instante. Algumas legislações se alteram e vc tem que caçar quais são os artigos revogados, pois a revogação é tácita...

Bom, não tive sucesso nesta opção também...
Um dia, voltando do curso... havia ido em busca de mais material... encontrei um antigo colega que havia estudado comigo na turma de básico fiscal. Ele me deu a boa notícia: havia passado para o concurso da CEF! Fora chamado após a renovação do prazo de validade, e nem estava mais esperando por isso! Nossa, que coisa boa!!
Concurso com este que não contrata como estatutário e o edital não discrimina o nr de vagas... vc se inscreve e entra no cadastro de reserva. A entidade convoca conforme há necessidade... Sim, incerto e por isso ficava mto desconfiada... nunca havia me inscrito em um concurso deste tipo.

Bom, depois desta notícia, resolvi arriscar: Publicado o edital para o concurso do BNDES, me inscrevi e estudei.. Sim, estudei matemática pq as outras matérias (português, lingua estrangeira, legislação específica e redação) apenas estudei refazendo provas anteriores. Mas a matemática... estudei pelas questões da prova da ANTAQ e pedindo auxilio aos moderadores no forum de Ajuda Matemática, que inclui nos meus favoritos! :-)
Pois é... Este concurso exigia uma pontuação mínima e além disso, que eu estivesse entre os 300 primeiros para ter minha redação corrigida = Aprovação!

Nosssssaaa............ embora sendo um concurso para o cargo de Técnico, que exigia nível médio, estava concorrendo com candidatos que possuiam nível superior.. aproximadamente 35 mil candidatos!!

Fiquei entre os 300 na primeira fase (prova objetiva) e tive minha redação corrigida, continuando entre os primeiros 300!

Mas fiquei pouco abaixo da metade.. Este concurso não convocou em grande quantidade...
Em 09/09/2009 - chamaram até o 108... ainda faltava muito para a minha vez..
Quando foi no mês de maio, comecei a acompanhar mais de perto e fazer a contagem regressiva...
Em uma mesma semana, atualizavam o site por cerca de 4 vezes, mas para o cargo para o qual eu concorria, chamavam apenas 2 vezes... A espera foi agonizante... rss

Até que...
Em 13/07... faltando menos de 10 para me chamarem.. SURPRESA!... O BNDES libera um edital para o mesmo cargo! Faltava pouco para encerrar a validade... e agora??? Tive que me inscrever! Agora eu queria mto passar pra lá!!!
De repente... após este edital, as convocaçòes pararam de acontecer... o site não foi atualizado por um tempão... E agora? e agora? pensei na prova que teria que fazer novamente.. mais matemática... oh não...

Até que....
Era uma sexta feira... e uma coisa que não era normal, aconteceu... atualizaram o site das convocações e chamaram para o cargo de técnico 2 candidatos... os dois números anteriores ao meu!!!! Karaka... só faltava me chamar... !!!!!!!!!!!! Eu era a proxima da fila@!!!!!!!!!!!!
Fiquei em agonia... nem dormi direito!! Nem avisei minha mãe... ela iria ficar sem dormir também...rs
Tchadãnnnnn.. na atualização seguinte: Euuuuuzinha fui chamada!!! No dia seguinte a cartinha ja chegou e daí pra frente foi só alegria!!!!!!!!!

UHUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!

E agora....
Bom, fui às compras! E descobri que o desejo consumista tomou conta de mim......
Eita! sou um ser normal...rssss quis comprar uns 4 pares de sapatos...
Tive que me conter!
Uma coisa de cada vez... primeiro o salário e depois as compras supérfluas, certo? OK!

Então é isso!!

Agora vou fazer parte da parcela economicamente ativa da sociedade!
Ter desejos consumistas!
Ascender no trabalho!!!! Aspirar a promoções - sim, é possível!!
Há para onde subir... :-)
Assim como há possibilidade de viajar e outras coisas!!
Há possibilidade de fazer cursos e outras cositas más!! :-)))
Benefícios, benefícios, baby!!
Ah.... tantas coisas que vou querer fazer... sigh , sigh!!
(segredo! psiiiiiuu )

Mas por enquanto é só ! :-)))

terça-feira, 24 de junho de 2008

CAPA do jornal Diário de Pernambuco de 20/06/2008

** Esta notícia já foi divulgada na maior parte dos grupos de estudos aos quais pertenço na net. Este cara já tem até um perfil criado no Orkut. O nome dele no perfil está escrito errado e consta que fala inglês e espanhol !!! rs... No entanto, já fez vários amigos, recebeu um monte de scraps, está sendo parabenizado por vários concursandos. Levada pela curiosidade, fiz uma busca no Google e achei vários homônimos, mas nenhum deles estava associado ao Banco do Brasil. Apenas a mesma informação espalhada em vários blogs.
Ainda assim não tenho certeza de que a notícia é real... Há tanta lenda viajando pela web que custa-me acreditar que esta história seja real, principalmente quando se lê que o cara não possui documentos, mora na rua, é um não-identificado. E não há como se inscrever em concurso público sem ter um RG, CPF, estar quite com obrigações eleitorais e militares, poder votar, etc.
Mas para nós, brasileiros que somos otimistas... esta história cai bem...
Sendo assim, leia e tire suas próprias conclusões, porque esta que vc acaba de ler é minha mesmo. *Roberta* **


Matéria: Do banco da praça para o Banco do Brasil
Morador de rua passa em concurso para escriturário Acredite !!
Dormindo há 12 anos na rua, um homem passava os dias estudando sozinho e acabou passando no concurso do Banco do Brasil

Ubirajara Gomes da Silva, 27 anos, fugiu de casa aos 15 anos, quando cursava a 6ª série. Era vítima constante de agressões físicas e psicológicas. Desde então, vive nas ruas. Dorme em bancos de praças. Em 2001, resolveu voltar a estudar, freqüentar escolas públicas para ter acesso à merenda e poder comer para viver.
Hoje, Ubirajara Gomes da Silva deve começar a fazer os testes exigidos para ser contratado como escriturário pelo Banco do Brasil. São testes de saúde e uma entrevista que funciona como teste psicológico. Nele, Ubirajara terá que contar a sua vida. Até a madrugada de ontem, ele não sabia que história contaria. Tinha medo de contar a verdade. Uma verdade que ele mesmo considera inacreditável.
Há um ano, Ubirajara foi aprovado no concurso do Banco do Brasil. Ficou na 136ª colocação no Recife. Eram mais de 19 mil candidatos. Na última semana, finalmente, foi convocado para assumir o cargo. Porém, Ubirajara sequer tinha um documento. Nem a certidão de nascimento. Este homem praticamente não existia para a sociedade. Ele mesmo se sentia "invisível", talvez até "irreal". Isso explica porque durante a entrevista para esta reportagem, Ubiarajara perguntou várias vezes que impressão estava causando. "O que será que as pessoas vão pensar de mim?", questinava, com a insegurança de quem está se sentindo real pela primeira vez na vida. Há 12 anos, Ubirajara da Silva mora pelas ruas do Recife.

A mentira

Ubirajara nunca conheceu seus pais. Foi abandonado dias depois do seu nascimento e cresceu em um orfanato. Lá, dormia com dezenas de outras crianças com histórias parecidas com a sua. Com sonhos iguais aos seus. Esperavam pelo milagre da adoção, talvez pelo arrependimento dos pais; por dias melhores. Até crescerem. Até descobrirem que esses tais dias melhores não viriam. Aos 18 anos era hora de deixar o orfanato e tentar a vida nas ruas. Na rua por onde todos passam, Ubirajara ficou. Uma história que se repete pelas esquinas, pelos bancos de praça, pelos viadutos de qualquer grande cidade. Uma história que - dentro da realidade social do país - poderia ser até considerada comum. Poderia,se não fosse a história de Ubirajara. Poderia, se fosse verdade.
A esquina 00h10. O jogo da seleção brasileira acabara havia poucos minutos e o fluxo de carros era um pouco maior do que o habitual paraum início de madrugada em uma das esquinas mais nobres do Recife, entre as rua das Pernambucanas e da Amizade, no bairro das Graças. Naquele horário, o único movimento era o dos carros. Dificilmente passaria alguém caminhando pela calçada. E era justamente por isso que Ubirajara estava ali. Naquela esquina, ele passaria a noite. Dormiria. Era o seu endereço. Sua casa. Há 12 anos, ele vive na rua. Era uma criança de 15 anos, perdida. Hoje é um homem de 27 que, finalmente, parece ter encontrado os tais "dias melhores". Sentando no pequeno batente de uma farmácia que fica fechada entre as 22h e às 6h30, ele começa a contar a sua vida. "Minha história é inacreditável", adianta. Com razão. É tão inacreditável que ele costuma mentir sobre sua origem. Prefere contar para as pessoas a versão que abriu essa reportagem. O drama comum do menino abandonado que cresceu em um orfanato. "Conto isso porque sei que é uma versão mais fácil de ser aceita", confessa Ubiaraja.
Por quase duas horas, ele continuaria contando a sua verdadeira história. Uma espécie de conto de fadas moderno. Aparentemente uma das muitas histórias sobre a miséria de um país e as suas conseqüências trágicas na vida de uma pessoa, na desestruturação de famílias, nas distorções das formas de relacionamento.

O pedaço de papel

Um rato passou a alguns metros e logo desapareceu. Dois meninos vieram pela calçada com garrafas de cola em uma mão e um pedaço de madeira afiado em outra. Sumiram no escuro. A chuva começou a cair. Ubirajara encolheu as pernas e protegeu sua pasta entupida de papéis e suas duas sacolas de plástico. Numa delas, um pouco de comida. Na outra, alguns itens de higiene pessoal. Ele não tem sequer uma escova de dentes. Da pasta, tira um pedaço de papel com marcas de dobras. No alto da página branca, a marca do Banco do Brasil. Um pouco abaixo, o nome completo de Ubirajara e alguns números. Um deles era 136. A quele morador de rua encolhido no batente de uma farmácia havia sido o 136º colocado no concurso do Banco do Brasil.
A família "Quem diria que aquele retardado seria funcionário do Banco do Brasil?", pergunta Ubirajara, em tom de orgulho. Realmente, ninguém jamais diria que um jovem que viveu 12 anos na rua conseguisse ser aprovado em um concurso público tão disputado. Concursos que se tornaram uma espécie de projeto de futuro para parte significativa da sociedade - alimentando uma verdadeira indústria de cursos preparatórios. Mas o "quem diria" de Ubirajara, na verdade, não era uma pergunta. Era uma resposta para alguns dos seus familiares. Pessoas que sumiram da sua vida desde o dia em que ele resolveu sair de casa. "Essa é a parte da minha história que eu queria esquecer".

00h40. Ubirajara está chorando. Pela primeira e única vez naquela madrugada. "O que eu realmente queria era ter tido minha mãe perto", diz enquanto passa a mão nos olhos vermelhos. O desabafo aconteceu enquanto ele contava a sua infância. Filho de uma garçonete com um PM exonerado, foi deixado de lado pelos dois. Mas não totalmente abandonado - como na história que escolheu contar. Na verdade, o menino foi criado na casa da sua avó materna, junto com mais quatro irmãos, em Paulista. Tinha uma condição de vida precária, mas digna. Pobre, não miserável. "Quando as pessoas sabem que eu tenho pai e mãe ficam revoltadas comigo por eu estar na rua. Me culpam. Ficam me julgando como se eu fosse um maluco ou um rebelde. Como se eu tivesse escolhido isso. Mas não é uma escolha. Você acha que eu não queria estar em uma cama agora?"

As primeiras noites na rua Ubirajara relata constantes agressões físicas e psicológicas que sofria na casa da avó. De lá veio o termo "retardado", que ele não esquece. Aos 15 anos, costumava fugir de casa. Aos poucos, as fugas eram cada vez mais longas. Cada vez mais sem rumo. Longe de casa, sem dinheiro, começou a dormir pelos cantos. Primeiro, na Avenida Guararapes. Depois, na rampa do Hospital da Restauração. Ele resume essas noites em dois sentimentos: "medo e solidão". Sentimentos que parecem capazes de resumir as piores noites da vida de qualquer pessoa. No caso dele, não eram as piores. Eram todas.

A virada
Ubirajara estava na 6ª série quando saiu de casa. E, nos primeiros anos sem teto, o seu único objetivo era sobreviver. E não há exagero ou qualquer tom heróico nessa afirmação. A vida na rua tem suas regras. Suas leis. O cotidiano das calçadas não permite escolhas. Não permite pudores. Nem princípios. Não podemos esquecer que esta é, antes de mais nada, a história de um morador de rua. E, nesse ponto, por muito tempo, Ubirajara foi só mais um.
Um dos que pediam esmola, um dos que não cortavam o cabelo, dos que vestiam trapos, dos que sentiam fome, dos que precisavam fazer qualquer coisa para comer (neste caso, não se faz necessário detalhar o "qualquer coisa"). Violentado de todas as formas. Noites de culpa. Noites de dor. Em 2001, o garoto decidiu voltar a estudar. Foi quando iniciou a reaproximação com os livros, as revistas e os jornais: "Tudo que parava na minha mão, eu sempre lia. Acho que esse foi o meu grande diferencial inclusive nos concursos". Estudando nas ruas, Ubirajara passou nas duas provas de supletivo e recebeu o diploma do ensino médio. Ainda assim, continuou freqüentando os colégios. Continua, aliás. Por um só motivo: as merendas.
Preguiçoso? A reaproximação com os pais ou com a avó nunca aconteceu. Ubirajara manteve contato apenas com os irmãos. Todos tiveram uma vida mais digna. Casaram, formaram família, conseguiram emprego. Em mais de uma década de rua, Ubirajara se acostumou a ser chamado de "preguiçoso" e de "teimoso". "Minha teimosia é que fez com que eu não desistisse dos meus sonhos. Por mais que todo mundo me criticasse, eu continuei fazendo aquilo que eu acreditava", resume. No ponto de táxi do Mercado da Madalena, onde Ubirajara "morou" por um bom tempo, os taxistas o definem como um "rapaz honesto, que vivia estudando, não gostava de trabalhar e tinha um jeito de abestalhado". Os dias de Ubirajara se resumiam a estudar. Às vezes, nas praças. Às vezes, em bibliotecas públicas. "Não tinha todos os livros, aí ia para a biblioteca, fazia rascunhos, copiava tudo e levava comigo esses papéis para todos os cantos", conta. Ainda leva, na verdade. A tal pasta dele é repleta de anotações. Todos os tipos. Desde a sua mínima contabilidade (vive com algo entre R$ 2 R$ 5 por dia) até um projeto completo para abrir um negócio próprio. "Quero ser nanoempresário. Menor do que micro", diverte-se.
O futuro A prova do concurso para escriturário do Banco do Brasil tinha 150 questões. Ubirajara acertou 116. Foi o quinto concurso que fez. Havia passado em outros quatro, mas nunca havia sido chamado. No início da semana passada, soube da convocação pela internet - onde vive quase que uma "vida paralela". Tem perfil no Ortkut e participa de dezenas de fóruns "habitados" pelos "concurseiros". É conhecido nesse meio pelo apelido de "Maior Abandonado". Usa uma foto de Charles Chaplin. "Sou viciado. Procuro sempre lugares que tenham computadores públicos. Na internet, as diferenças diminuem, não me sinto distante de ninguém", conta, fazendouma analogia com a sua "invisibilidade" como morador de rua. "Estou aqui nessa esquina todas as noites? Ninguém vem aqui falar comigo. Você veio para me entrevistar. Mas você já tinha sequer me visto aqui?", questiona. A resposta, constrangida, foi "não". E foi na internet, em um fórum de discussão para "concurseiros", que Ubirajara resolveu expor um drama que vinha lhe consumindo em silêncio desde o dia que soube da convocação. Tinha uma dívida de quase R$ 8 mil por empréstimos que fez há anos. E a regra em órgãos públicos é clara: para a contratação ser efetivada, o candidato não pode ter o nome no SPC ou Serasa. Bastou o relato triste para estimular uma verdadeira corrente de ajuda. Uma mobilização virtual que não demoraria para se tornar real. Um amigo que fez na internet se dispôs a pagar parte da sua dívida. Algo em torno de R$ 3 mil. O restante, o próprio Ubirajara pagará em 60 meses com o seu salário (R$ 954, mas que somando outros benefícios pode chegar quase a R$2.000). Dinheiro suficiente para revolucionar sua vida. Para que os seus sonhos, pela primeira vez, possam ser chamados de "planos". "Minha vida é como a música de Cazuza: Dias sim, dias não... Vou sobrevivendo sem um arranhão. Da caridade de quem me detesta"

Fontes: diário de pernambuco ; blog dicas pra concursos ; blog andrea brelaz